Estudo Parashá Bamidbar
O que a organização do acampamento nos ensina?
Resumo da Parashá:
Essa parashá faz uma descrição dos acontecimentos a partir do 2º mês do segundo ano após a saída do Egito.
O Tabernáculo havia sido concluído e inaugurado no 1º mês desse segundo ano, e logo após no 2º mês o Eterno já ordena a Moisés que fosse feita uma contagem (censo) do povo de Israel, após o censo fica definido quantas pessoas são e a quais tribos pertencem, então na sequência o Eterno ordena como o acampamento do povo de Israel deveria ser: separado por tribos e cada tribo posicionada onde o Eterno determinou.
O que aprendemos com essa parashá?
Apesar de parecer somente um relato técnico daquele
momento, essa parashá nos traz algumas lições que podemos aprender.
Vemos que o Eterno estava levantando e organizando o povo de
Israel como nação.
Primeiro o Eterno estabeleceu com
eles uma aliança e lhes deu os mandamentos, a Torah como código de leis, como
guia ou tutor de como eles deveriam proceder para se manterem como povo
aprovado e santificado diante de D’us.
Logo após, o Eterno ordena a
construção do Tabernáculo, o centro espiritual para o povo.
E quase imediatamente após a inauguração do Tabernáculo Ele
ordena a contagem do povo e a organização do acampamento em torno do
Tabernáculo.
Antes do povo ser chamado a se
organizar como nação, eles precisaram estar prontos para o serviço ao Eterno
com a conclusão do Tabernáculo.
Só então o Eterno ordena que façam
um censo, não só como uma contagem ou relatório, mas também para que cada um ao
ser contado tome consciência da sua responsabilidade como parte de um povo ou
nação.
Ao serem contados "por nome" (be-shemot)
indica que, embora fossem uma massa de 600 mil pessoas, cada indivíduo era
reconhecido não apenas como um número, mas por quem realmente era e pelo seu
valor.
Então o Eterno ordena ao povo como deveria ser o
acampamento.
Ao observar a disposição do acampamento conforme relatado na
parashá e de acordo com a literatura rabínica, vemos uma disposição organizada
nos 4 pontos cardeais, com 3 tribos ao leste, 3 ao oeste, 3 ao sul e 3 ao
norte.
Alguns cristãos tendem a imaginar as tribos acampadas em
linha, formando uma cruz com o Tabernáculo no centro, e fazem uma associação
profética com Yeshua na cruz.
Porém essa é uma construção teológica posterior criada por
alguns teólogos cristãos e não está de acordo com os textos judaicos.
A Torah não detalha a forma como as tribos ficavam
acampadas, mas a literatura rabínica explica que a disposição das tribos em
torno do Tabernáculo era lado a lado uma com a outra formando um quadrado
perfeito em torno do tabernáculo.
A Torah diz:
“Os filhos de Israel se acamparão junto ao seu
estandarte, segundo as insígnias da casa de seus pais; ao redor, de
frente para a tenda da congregação, se acamparão.” Números 2:2
O texto já dá a ideia ao usar o termo “ao redor” alinhado
com a literatura rabínica que afirma a disposição como um quadrado em torno do
Tabernáculo.
O tratado Midrash Bamidbar Rabbah 2:4 afirma explicitamente
que o acampamento foi modelado conforme o Reino Celestial (a carruagem divina
ou Merkavah), que é descrito como tendo quatro lados simétricos.
O formato do acampamento com o Tabernáculo ao centro mostra
que a identidade espiritual e a ligação com o Eterno são o verdadeiro núcleo do
povo judeu.
Isso mostra também um acampamento montado de forma
estratégica para se protegerem de ataques inimigos.
Pensando no deserto onde eles estavam expostos aos inimigos
faz todo sentido, pois se fosse na forma de cruz como alguns querem acreditar,
os ângulos ficariam abertos e vulneráveis à invasões sorrateiras dos inimigos durante
a noite.
O acampamento era como um exército real pronto para marchar,
onde a honra do Rei (D’us no Tabernáculo) é protegida por guardas (Levitas) e
pelas legiões (Tribos) em volta.
A forma que o Eterno organiza o acampamento demonstra que para
o povo de Israel o serviço a D’us (representado pelo Tabernáculo) deve ser o
centro da vida.
De acordo com Pirkei Avot, a ordem no acampamento ensina que
"o mundo se sustenta sobre três coisas: a Torá (o centro com a Arca), o
Serviço Divino (os levitas ao redor) e a Prática da Bondade (as tribos
convivendo em harmonia e proteção mútua).”
Também transmite a ideia de igualdade.
Todas as tribos, cada uma com suas características, estão
igualmente em torno do Tabernáculo.
Não há tribo mais próxima ou mais distante do centro sagrado
(exceto os levitas que acampam imediatamente ao redor dele para protegê-lo),
simbolizando unidade e igualdade espiritual.
O Tabernáculo estava no centro exato para que nenhuma tribo
pudesse dizer: "Eu sou mais importante porque estou mais perto da
Shechinah".
Isso pode ser profundamente relevante até hoje, refletindo a
ideia de que, para que uma sociedade seja plena, os valores espirituais e o
serviço divino precisam estar no coração da vida coletiva.
A parashá também detalha as tarefas específicas de cada clã
levita no Tabernáculo, o que parece ser uma descrição histórica e
organizacional.
Essa organização revela a importância da ordem, disciplina e
responsabilidade em nossas ações.
Cada clã tinha uma função específica, refletindo como cada
um de nós tem um papel único a desempenhar contribuindo de forma distinta para
o bem comum.
Essa diversidade de tarefas demonstra que o valor de cada um
está na sua contribuição específica, e que a harmonia nasce do cumprimento de
nossas funções com dedicação.
Também a atenção aos detalhes na descrição das tarefas nos
ensina que D’us valoriza o empenho, a organização, e a precisão nas nossas atividades,
especialmente na relação com Ele.
Pequenos detalhes na prática servem como um reflexo de nossa
intenção e devoção, mostrando que o divino e o humano se encontram na
observância cuidadosa.
Embora pareça uma descrição quase “técnica,” ela carrega uma
mensagem de que cada detalhe de nossas ações, por menor que pareça, tem seu
valor e está conectado à nossa missão maior de integrar o divino na nossa vida
cotidiana.
3 lições importantes dessa parashá:
- Assim como o Tabernáculo ficava no centro do povo de Israel, a nossa obediência e o nosso serviço a D’us deve estar no centro das nossas vidas, nunca em segundo plano depois de nossas vontades.
- Todas as tribos estavam dispostas ao redor do Tabernáculo e a mesma distância dele, demonstrando que D’us põe todos nós em igualdade diante da Sua Presença e que todos temos o mesmo acesso a Ele de forma igual, ninguém deve se achar superior ao outro pensando que está mais próximo da presença divina.
- Cada clã levita tinha seu papel no transporte e na manutenção do Tabernáculo, assim como cada um de nós tem seu papel único e importante diante de D’us, devemos nos esforçar para ser sempre o melhor para Ele.

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