14 maio 2026

Proibições no Shabat e Festas e as 39 Melachot - O Que Você Precisa Saber

Proibições no Shabat e Festas Bíblicas - O que você precisa saber




Muito se fala sobre as proibições de trabalho no Shabat e nas Festas do Senhor, mas de onde vem esse conceito? Quais são as bases na Torah? Quais são essas proibições?

É o que veremos neste artigo.

Nota: a Torah não detalha nada a respeito das proibições, só ordena nos mandamentos das Festas que os adoradores do Deus de Israel não trabalhem nesses dias. Uma parte do que será apresentado aqui são leis rabínicas, é tradição oral que foi compilada no Talmud e outros escritos posteriores a destruição do 2º Templo. Não estamos sugerindo que você faça isso ou aquilo,  a forma como você entende a tradição oral é que deve te ajudar a decidir isso. Somente apresentamos esse artigo a título de conhecimento.

Caso você queira entender melhor os fundamentos das proibições, continue a leitura.

Se o seu objetivo é apenas saber quais são as proibições, role diretamente para o final da página pois estão lá.

Resumirei ao estritamente necessário, sem me aprofundar nos detalhes rabínicos para que a leitura não fique muito extensa.

No judaísmo temos basicamente dois grupos de leis, as que estão escritas na Torah e são mandamentos de Deus recebidos por Moisés no monte Sinai; e as que são "Torah oral" e não estavam escritas até serem compiladas no Talmud e outros escritos.

Como a Torah escrita algumas vezes ordena um mandamento mas não detalha a forma de cumprir, é a "Torah oral" que vai explicar como fazer.

A tradição judaica afirma que a "Torah oral" foi recebida por Moisés no monte Sinai junto com a escrita.

E acompanhando a "Torah oral" vieram as leis rabínicas, algumas são "cercas" para impedir a pessoa de transgredir o mandamento da Torah escrita, outras são interpretações de juízes, sábios e rabinos de Israel.

Se quiser saber mais sobre a "Torah oral", como surgiu, se está de acordo com as Escrituras e qual a visão acadêmica sobre ela clique no nosso artigo aqui.


A proibição do trabalho na Torah:

A Torah proíbe o trabalho nos dias festivos, essa instrução é repetida de forma sistemática em todas as datas consideradas Santa Convocação (Mikra Kodesh).

Os versículos que abordam as Mikra Kodesh (Shabat e as Festas do Senhor) contêm uma destas duas expressões em hebraico para determinar a proibição de atividades:

  • "Kol melachá lo ta'assu" – Nenhum trabalho fareis.
  • "Melachet avodá lo ta'assu" – Nenhum trabalho servil/de ocupação fareis.

Dessa forma, a Torah estabelece uma distinção linguística e jurídica entre o nível de restrição do Shabat e do Yom Kippur em relação às demais festas, chamadas Chagim.

Shabat e Yom Kippur – Proibição absoluta (kol melachá), proíbe-se qualquer modalidade de trabalho criativo, vejamos os textos:

Shabat: "Seis dias se trabalhará, mas o sétimo dia será o Shabat do descanso completo, uma Santa Convocação; nenhum trabalho fareis [kol melachá lo ta'assu]..." (Levítico 23:3).

Yom Kippur: "E nenhum trabalho fareis [kol melachá lo ta'assu] nesse mesmo dia... Toda alma que fizer algum trabalho nesse dia, eu a destruirei...” (Levítico 23:28-30).

As outras Festas – Proibição de trabalho ocupacional/servil (melachet avodá), ou seja, às festas de Shavuot, Sucot, Rosh Hashaná e os dias sagrados de Pessach/Chag HaMatzot a restrição é de trabalho servil, vejamos o exemplo:

"E apregoareis naquele mesmo dia que tereis Santa Convocação; nenhum trabalho servil fareis [melachet avodá lo ta'assu]; estatuto perpétuo será em todas as vossas habitações, pelas vossas gerações." (Levítico 23:21).

O entendimento sobre o que é exatamente o "trabalho servil" (melachet avodá) é extraído originalmente de Êxodo 12:16 que trata de Pessach:

"Nenhum trabalho se fará neles, exceto o que cada um houver de comer; somente isso se poderá fazer por vós." (Êxodo 12:16).

Os sábios de Israel compreenderam que a Torah define “melachet avodá lo ta'assu” em Levítico a partir da concessão de Êxodo, portanto, a expressão “trabalho servil” exclui os atos necessários para a preparação de alimentos no próprio dia da festa — como cozinhar ou assar alimentos — desde que realizada a partir de uma fonte de fogo preexistente, e que seja para o seu próprio consumo e da sua família no mesmo dia.

O conjunto de leis judaicas composta pelos mandamentos da Torah escrita, pelos ensinos da Torah oral e pelas leis rabínicas chamamos Halachá.

Na Halachá o termo Yom Tov é o nome rabínico oficial utilizado para designar qualquer uma das festas bíblicas nas quais a Torah proibiu o trabalho produtivo, mas permitiu a preparação de alimentos.

Enquanto o Shabat e o Yom Kippur são chamados de dias de descanso absoluto (Shabaton), os dias sagrados das demais festas são classificados como Yom Tov.

O Talmud, no Tratado de Beitzá 12a, define que a única diferença prática na restrição de trabalhos entre o Shabaton e o Yom Tov é o conceito de Ochel Nefesh (alimento para o indivíduo/sustento do corpo), tudo o que for necessário para a alimentação direta do ser humano naquele dia torna-se permitido no Yom Tov.

Em resumo:

  • Shabat e Yom Kippur – São Shabaton, proibição total de trabalhos e de acender fogo.
  • Pessach, Shavuot, Rosh Hashaná e Sucot – São Yom Tov, é permitido cozinhar para consumo próprio no dia e transferir fogo a partir de uma chama acesa antes do início da festividade.


Origem das 39 melachot (as 39 proibições):

Ao estudar a Torah os sábios concluíram que as ações necessárias para construir o Tabernáculo (Mishkan) são exatamente aquelas proibidas no Shabat, aplicando-se também às demais festividades (com exceção das permissões de alimentação já descritas).

A conexão entre os trabalhos proibidos e o Tabernáculo é extraída diretamente da justaposição de textos na Torah em Êxodo 31 e 35, imediatamente após instruir detalhadamente sobre a construção do Mishkan, a Torah ordena a guarda e o repouso do Shabat.


As 39 Proibições (As 39 Melachot):

Nota importante: A lista abaixo detalha as ações proibidas de forma absoluta no Shabat. Como visto anteriormente, nos dias de Yom Tov (festividades), as ações diretamente ligadas à preparação de alimentos humanos — como cozinhar e transferir fogo — são permitidas devido ao princípio de Ochel Nefesh.

Todas as proibições abaixo encontram sua fundamentação jurídica no Talmud (Tratado de Shabat 73a) e suas aplicações práticas detalhadas no Shulchan Aruch (Orach Chayím) e estão divididas em melachot (principal) e toledot (exemplos práticos).

1. Arar - Cavar a terra, tornando-a mais propícia ao plantio.
Exemplos práticos desta proibição: revolver a terra com ajuda de animal, arado ou trator; arrastar um banco pesado ou brincar com bolas de gude sobre o solo.

2. Semear - Ato para estimular o crescimento da planta.
Exemplos práticos desta proibição: jogar sementes frutíferas na terra; dispor flores num vaso com água; colocar adubo ou inseticida numa planta.

3. Colher - Desenraizar uma planta do local onde cresceu.
Exemplos práticos desta proibição: cortar grama; colher frutas. Nossos sábios proibiram subir em arvores ou embalar-se numa balança pendurada num galho.

4. Agrupar a colheita - Agrupar cereais, frutos ou vegetais no local onde cresceram.
Exemplos práticos desta proibição: agrupar laranjas que caíram da arvore; fazer um buquê de flores. Esse trabalho só se aplica a derivados da terra e no local onde nasceram. Portanto, é permitido juntar livros no jardim ou maçãs espalhadas na cozinha.

5. Debulhar - Separar a parte utilizável (desejada) dos produtos da terra da inutilizável (indesejada), usando força ou pressão. Antigamente, para separar a semente da casca do cereal, usava-se uma tábua especial amarrada a um animal, que a arrastava sobre os grãos, separando-os.
Exemplos práticos desta proibição: fazer suco de uva; ordenhar vaca; espremer suco de fruta cítrica; tirar ervilha da casca (se a casca não for comestível). É permitido espremer suco de limão diretamente sobre salada ou peixe para temperá-los, se estes não contêm nenhum líquido.

6. Dispersar o grão ao vento - Jogar sementes ao vento para separar a parte utilizável (desejada) da não utilizável (indesejada). Mais uma forma que usavam antigamente para separar as cascas dos grãos era jogar o cereal ao vento; assim a palha que é mais leve voava enquanto os grãos caíam no solo.
Exemplos práticos desta proibição: cuspir em direção ao vento; assoprar em amendoins para que as cascas voem e se separem.

7. Selecionar e separar - Um alimento não utilizável (indesejado) do utilizável (desejado) ou separar de acordo com diferentes tipos.
Exemplos práticos desta proibição: separar a cebola (que não se quer comer) da salada; separar uma fruta estragada das demais; usar um descascador; descascar frutas ou legumes (mesmo com faca ou a mão) com antecedência; selecionar alimento sólido de uma sopa por meio de escumadeira; classificar utensílios, brinquedos ou livros de acordo com tamanhos e tipos.
É permitido descascar frutas ou legumes com faca ou a mão (não com descascador), desde que seja pouco tempo antes ou durante a refeição.

8. Moer - Desfazer algo sólido em pedaços muito pequenos.
Exemplos práticos desta proibição: ralar legumes, picar verduras em pedaços pequenos, amassar batata cozida com amassador; amassar banana ou abacate com garfo; serrar madeira com interesse na serragem. Nossos sábios proibiram tomar remédios ou vitaminas em Shabat, exceto em caso de doença.
É permitido amassar com garfo alimento que não cresce na terra (como ovo cozido) ou esfarelar pão ou bolo.

9. Peneirar - Separar alimento utilizável (desejado) do não utilizável (indesejado) por meio de peneira, coador ou similar.
Exemplos práticos desta proibição: peneirar farinha; coar vinho num coador especial; peneirar areia.

10. Fazer massa - Formar massa consistente, misturando ingredientes.
Exemplos práticos desta proibição: fazer mingau (cereal em pó + leite), gelatina (pó + água), creme de chocolate (cacau ou chocolate em pó + margarina) ou cimento (cal + água); misturar purê de batata com manteiga ou margarina; misturar maionese com ketchup, formando consistência pastosa (se for líquida, é permitido).
É permitido misturar cereal em flocos com leite. Ao fazer mingau de cereal em pó para beber, deve-se colocar primeiro o leite no prato e depois acrescentar o cereal, formando uma massa líquida (não sólida).

11. Assar/cozinhar/fritar - Colocar alimento sobre fogo ou qualquer fonte de calor, como chama aberta, chapa elétrica, brasa, chapa de metal pré-aquecida ou até em banho-maria na panela que já esteve por cima do fogo ou da chapa. Exige-se muita prudência ao aquecer alimentos no Shabat para não chegar a transgredir esta proibição, que inclui inúmeros detalhes.
Exemplos práticos desta proibição: esquentar alimento sobre fogo; misturar alimento que ainda está na panela onde foi cozido (exceto água); tampar panela (que está sobre a chapa) se a comida não estava totalmente cozida na entrada do Shabat; abrir torneira de água quente. Para ter comida quente no Shabat, deve-se deixar previamente os alimentos por cima de um fogo coberto por uma chapa de metal ou numa chapa elétrica (costuma-se cobrir os botões para não regulá-los distraidamente). É permitido aquecer alimento sólido (sem molho ou gordura) por cima (mas não dentro) de panela que se encontra nesta chapa. É permitido cozinhar diretamente no calor do Sol, mas não sobre algo que foi previamente aquecido pelo Sol; portanto, pode-se esquentar um ovo no calor dos raios do Sol sobre prato, panela ou frigideira fria (se o utensílio foi previamente esquentado no Sol, é proibido), mas é proibido utilizar água quente de aquecedor solar.

12. Tosquiar - Aparar pelos que cresceram no corpo do animal ou do homem.
Exemplos práticos desta proibição: depenar ave; cortar cabelo; cortar ou roer unhas; passar pente ou escova nos cabelos (que podem arrancar os cabelos) tirar sobrancelhas.

13. Lavar - Tornar tecido ou roupa mais limpo.
Exemplos práticos desta proibição: tirar qualquer mancha; deixar tecido de molho; colocar roupa na máquina; torcer pano molhado; pendurar roupa molhada para secar. É permitido jogar água sobre objeto de couro sem esfregá-lo.

14. Desembaraçar a lã não trabalhada - A lã extraída do carneiro quando tosado encontra-se embaraçada e repleta de elementos estranhos como terra e areia. Antigamente passava-se uma espécie de pente para retirar impurezas e desembaraçá-la.
Exemplos práticos desta proibição: pentear fios de lã, linho ou algodão.

15. Tingir - Alterar ou fortificar a coloração.
Exemplos práticos desta proibição: tingir tecidos; alterar cores através de recursos químicos; pintar qualquer objeto com rolo, pincel ou spray; passar batom nos lábios ou maquiagem nos olhos ou no rosto; enxugar as mãos num tecido com sujeira que pode acabar colorindo o tecido como alimentos entre os quais morango, vinho, etc. É permitido alterar a coloração de alimentos para melhorar seu sabor. Pode-se usar guardanapos de papel para enxugar as mãos.

16. Fiar - Esticar e enrolar manual ou mecanicamente lã ou outra matéria prima já penteada e tingida.
Exemplo prático desta proibição: enrolar fios do tsitsit.

17. Esticar o fio para prepará-lo para tecer - Esticar os fios entre os dois extremos da roca (máquina de fiar).
Exemplo prático desta proibição: esticar fios (numa direção) em moldura de tear manual, como para iniciar a tecer um tapete.

18. Passar o fio entre dois anéis - No tear, os fios são passados por vários anéis que se alternam entre si, subindo e descendo, para compor o tecido.
Exemplos práticos desta proibição: fazer uma peneira; entrelaçar cesta de vime ou cadeira de palha.

19. Tecer - Entrelaçar fios no sentido horizontal por entre fios esticados verticalmente. Com este trabalho confecciona-se o tecido propriamente dito.
Exemplos práticos desta proibição: fazer tricô ou tapeçaria; trançar corda ou fios.

20. Desfazer os fios a fim de retocá-los - Exemplos práticos desta proibição: puxar fio solto na roupa; retirar tapete da moldura onde foi confeccionado.

21. Atar - Dar nó que não se desfaz facilmente.
Exemplos práticos desta proibição: fazer nó de marinheiro; apertar nó de tsitsit; fazer nó duplo; trançar dois fios para formar corda; juntar dois cordões com um nó, formando um só cordão. É permitido fazer nó de gravata ou amarrar o sapato (mesmo se não for desfeito dentro de 24 horas), pois na verdade trata-se de laço, que não é considerado nó.

22. Desatar - Desfazer um nó (o qual não teria sido permitido fazer no Shabat).
Exemplos práticos desta proibição: desatar fio que junta par de meias novas; desfazer nó duplo; desatar corda, separando os fios individualmente. Se um laço no sapato complicou-se e acabou formando um nó, é permitido desfazê-lo de forma não usual (com shinui) se tiver que tirá-lo.

23. Costurar - Unir dois tecidos ou materiais em geral.
Exemplos práticos: fazer bainha de roupa; colar papéis com fita adesiva ou cola; puxar e/ou enrolar fio de botão que está caindo para torná-lo mais firme. Zíper ou velcro não são considerados costura e, portanto, é permitido abrir ou fechá-los no Shabat.

24. Rasgar intencionando suturar - Rasgar qualquer material para uni-lo depois.
Exemplos práticos desta proibição: descoser a fim de costurar novamente; abrir envelope colado ou lacrado. É permitido rasgar saquinho de papel ou plástico para retirar o alimento de maneira que o saquinho não será reaproveitado (com cuidado para não rompê-lo no meio de letras impressas nem descolá-lo).

25. Caçar - Aprisionar um animal vivo e impedir que se livre.
Exemplos práticos desta proibição: perseguir animais com cachorro de caça; tampar uma garrafa onde um mosquito entrou; espalhar ratoeira. É permitido prender e/ou matar animais (como cobra ou serpente) quando são ameaça iminente à vida da pessoa.

26. Abater - Tirar a vida de um animal.
Exemplos práticos desta proibição: fazer o ritual da Shechitá; borrifar inseticida; pescar; espalhar veneno contra animais ou insetos; causar hematoma; tirar sangue de pessoa ou animal. É permitido aplicar repelente sobre o corpo, pois não se está matando os insetos, e sim impedindo que se aproximem.

27. Pelar o couro - Retirar pele de animal morto.
Exemplo prático desta proibição: separar couro em camadas. É permitido retirar a pele do frango cozido (próximo ou durante a refeição), pois é considerado parte do alimento.

28. Curtir o couro - Preparar couro, usando sal, cal, ou outros meios.
Exemplos práticos desta proibição: engraxar sapato de couro mesmo com graxa incolor; salgar a carne crua após o abate; colocar legumes para curtir; devolver um pepino azedo meio curtido para salmoura. É permitido temperar uma salada, próximo à refeição, colocando outros temperos antes ou junto com o sal.

29. Alisar o couro - Retirar pelos e imperfeições do couro.
Exemplos práticos desta proibição: lixar algo; alisar argila; colar vela com chama de fogo (mesmo nos dias festivos); passar creme na pele. Em caso de doença é permitido aplicar pomada (de forma não habitual – com shinui) numa ferida, sem alisá-la (mesmo que se alise por si só).

30. Demarcar o couro (para cortá-lo) - Exemplos práticos desta proibição: traçar linhas para escrever sobre elas; fazer pontilhado para saber onde dobrar ou cortar o objeto.

31. Cortar (seguindo uma certa medida) - Exemplos práticos desta proibição: cortar um desenho seguindo o pontilhado; arrancar folhas de caderno; apontar lápis; cortar papel higiênico ou saquinho plástico de um rolo; separar lenço de papel quando um está preso ao outro; serrar madeira ou metal; cortar pano; separar páginas de um livro quando estas não foram cortadas na gráfica.

32. Escrever - Ou esculpir letras, figuras ou sinais que sirvam como códigos de comunicação.
Exemplos práticos desta proibição: escrever com dedo sobre líquido que derramou na mesa, num vidro embaçado ou na areia, carimbar, unir peças de quebra cabeças; bordar letras ou figuras.
Nossos sábios proibiram uma série de ações em que é quase automático o uso da escrita, como negociar (pois implica em fazer contrato); medir ou pesar algo; dar um presente; trabalhar no Shabat em troca de um salário diário; fazer contas de matemática; ler no jornal propaganda sobre compra e venda de móveis ou imóveis. É permitido medir febre com termômetro.

33. Apagar - Anular qualquer escrita ou código comunicável com a intenção de reescrever no mesmo local.
Exemplos práticos desta proibição: apagar lousa escrita com giz; apagar com borracha; cortar embrulho onde há letras escritas; cortar letras carimbadas ou coladas em frutas.
Nossos sábios proibiram ler listas de qualquer tipo para não chegar a apagar algo da lista.
É permitido comer alimentos cujas letras são parte do próprio alimento, como biscoitos (neste caso, as letras e o alimento são considerados um único elemento). Porém, quando o alimento e as letras são compostas de materiais diferentes, como letras escritas com creme sobre um bolo de chocolate, as letras devem ser retiradas por completo antes de cortar o bolo.

34. Construir - Ação ligada à montagem ou construção.
Exemplos práticos desta proibição: todas as tarefas relativas à construção, como cavar, encaixar portas e janelas, furar ou bater prego na parede, etc.; montar tenda; abrir guarda-chuva; montar qualquer utensílio; fazer queijo; fazer trança de cabelos; usar spray para fixar penteado.

35. Destruir ou demolir (com a intenção de reconstruir no local) - Exemplos práticos desta proibição: retirar telhas do telhado; arrancar prego da parede; arrombar porta; desfazer tenda; desfazer caixa de madeira; desmanchar trança de cabelos.

36. Acender fogo (aumentar, prolongar ou propagá-lo) - Exemplos práticos desta proibição: riscar fósforo; acender chama de gás; ligar luz elétrica (por isso é proibido abrir porta de geladeira que automaticamente acende a luz interna; a lâmpada da geladeira deve ser desativada ou afrouxada antes do Shabat); acrescentar azeite numa lamparina; ligar motor do carro; acelerá-lo; obter faíscas através do atrito entre duas pedras; refletir a luz do Sol em lente de aumento para queimar papel.

37. Apagar fogo (ou diminui-lo) - Exemplos práticos desta proibição: apagar fogo através de vento (abrindo janela), areia ou sopro; abaixar fogo ou chama de gás; desligar luz elétrica; retirar azeite de uma lamparina; desligar motor do carro. Nossos sábios proibiram ler à luz de azeite, pois estando concentrada na leitura a pessoa pode esquecer que é Shabat e mexer no pavio ou no azeite para enxergar melhor.

38. Terminar a manufatura de qualquer objeto - Denominado "bater com martelo", pois o ferreiro termina sua obra com uma última martelada - dar o "toque final" para que um objeto possa ser utilizado.
Exemplos práticos desta proibição: afiar faca; desentortar garfo; colocar cordão num sapato novo; retirar fios deixados por costura; cortar uma lasca de madeira para usar como palito de dentes; encaixar pé que se soltou da cadeira; apertar parafuso para recolocar lente de óculos.
Nossos sábios proibiram mergulhar qualquer utensílio no micve; nadar; remar; tocar instrumentos musicais.

39. Transportar de propriedade particular para pública e vice-versa - Transportar, jogar, entregar, empurrar ou fazer qualquer tipo de transferência de uma área de propriedade pública para uma de propriedade privada ou vice-versa, a não ser vestir roupas e outros adornos como kipá, óculos de grau, jóias, etc. Também é proibido carregar qualquer objeto num perímetro equivalente à distância de 1,92 m, em área de propriedade pública.

Fonte Chabad link aqui

O Eruv e a alteração da 39ª Melachá (Hotzaá):

A 39º melachot proíbe carregar ou transferir objetos entre dois domínios: o privado (reshut hayachid) e o público (reshut harabim).

O Eruv é uma ferramenta jurídica e física que altera essa configuração geográfica.

O mecanismo físico: O Eruv consiste em cercas reais ou em um perímetro demarcado por fios conectados a postes (formando o desenho de batentes de portas chamados Tzurat HaPetach), essa estrutura unifica legalmente toda a área cercada.

O mecanismo jurídico (Eruv Chatzerot): Os moradores da área cercada fazem um condomínio simbólico, compartilhando a propriedade de um alimento (geralmente uma caixa de matzá) antes do Shabat, isso transforma legalmente o espaço público residencial em um único e imenso "domínio privado coletivo.”

O impacto na prática: dentro do perímetro do Eruv, a proibição rabínica de carregar é suspensa, torna-se permitido carregar chaves, empurrar carrinhos de bebê, portar livros de reza ou usar bengalas ao sair de casa para a sinagoga. (Fontes: Talmud Tratado de Eruvin 2a / Shulchan Aruch OC Siman 366).


Conclusão:

Como demonstrado ao longo deste artigo, o detalhamento minucioso das 39 ações proibidas provém de decretos rabínicos, não estando explícito na Torah escrita.

Não vemos impedimento em seguir alguma tradição oral, desde que ela esteja em concordância com a Torah escrita e com as palavras de Deus nos profetas, e no caso dos crentes em Yeshua também com a Brit Chadashá.

Outro detalhe importante é que devemos sempre ter a consciência (kavaná) de que a tradição oral é somente uma tradição interpretativa da Torah escrita e é cultural, e não uma ordem divina.

Diante de tudo que foi apresentado concluímos que a aplicação na prática divide-se em:

  • Judeus de nascimento e convertidos que não creem em Yeshua - Por rejeitarem a Yeshua permanecem sob a autoridade rabínica e, portanto, consideram-se sob a obrigação estrita de seguir a Halachá em sua totalidade. No entanto, como mostrado logo acima, isso não uma obrigação pactual legítima diante de Deus, aos olhos do Criador com base em Jeremias, Isaías e na própria Torah, o judeu continua violando o princípio de Bal Tosif ao seguir a Halachá em detrimento da Torah pura.
  • Judeus e gentios crentes em Yeshua - Podem seguir algumas tradições orais se não ferir a Torah e a Brit Chadashá, e sempre com a kavaná de que é cultural e não divina. Não possuem a obrigação legal de obedecer às leis orais ou decretos rabínicos, devem concentrar sua obediência à instrução moral e espiritual da Torah escrita e nos ensinos de Yeshua e dos seus apóstolos na Brit Chadashá.


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