Proibições no Shabat e Festas Bíblicas - O que você precisa saber
É o que veremos neste artigo.
Nota: a Torah não detalha nada a respeito das proibições, só ordena nos mandamentos das Festas que os adoradores do Deus de Israel não trabalhem nesses dias. Uma parte do que será apresentado aqui são leis rabínicas, é tradição oral que foi compilada no Talmud e outros escritos posteriores a destruição do 2º Templo. Não estamos sugerindo que você faça isso ou aquilo, a forma como você entende a tradição oral é que deve te ajudar a decidir isso. Somente apresentamos esse artigo a título de conhecimento.
Caso você queira entender melhor os fundamentos das proibições, continue a leitura.
Se o seu objetivo é apenas saber quais são as proibições, role diretamente para o final da página pois estão lá.
Resumirei ao estritamente necessário, sem me aprofundar nos detalhes rabínicos para que a leitura não fique muito extensa.
No judaísmo temos basicamente dois grupos de leis, as que estão escritas na Torah e são mandamentos de Deus recebidos por Moisés no monte Sinai; e as que são "Torah oral" e não estavam escritas até serem compiladas no Talmud e outros escritos.
Como a Torah escrita algumas vezes ordena um mandamento mas não detalha a forma de cumprir, é a "Torah oral" que vai explicar como fazer.
A tradição judaica afirma que a "Torah oral" foi recebida por Moisés no monte Sinai junto com a escrita.
E acompanhando a "Torah oral" vieram as leis rabínicas, algumas são "cercas" para impedir a pessoa de transgredir o mandamento da Torah escrita, outras são interpretações de juízes, sábios e rabinos de Israel.
Se quiser saber mais sobre a "Torah oral", como surgiu, se está de acordo com as Escrituras e qual a visão acadêmica sobre ela clique no nosso artigo aqui.
A proibição do trabalho na Torah:
A Torah proíbe o trabalho nos dias festivos, essa instrução é repetida de forma sistemática em todas as datas consideradas Santa Convocação (Mikra Kodesh).
Os versículos que abordam as Mikra Kodesh (Shabat e as Festas do Senhor) contêm uma destas duas expressões em hebraico para determinar a proibição de atividades:
- "Kol melachá lo ta'assu" – Nenhum trabalho fareis.
- "Melachet avodá lo ta'assu" – Nenhum trabalho servil/de ocupação fareis.
Dessa forma, a Torah estabelece uma distinção linguística e jurídica entre o nível de restrição do Shabat e do Yom Kippur em relação às demais festas, chamadas Chagim.
Shabat e Yom Kippur – Proibição absoluta (kol melachá), proíbe-se qualquer modalidade de trabalho criativo, vejamos os textos:
Shabat: "Seis dias se trabalhará, mas o sétimo dia será o Shabat do descanso completo, uma Santa Convocação; nenhum trabalho fareis [kol melachá lo ta'assu]..." (Levítico 23:3).
Yom Kippur: "E nenhum trabalho fareis [kol melachá lo ta'assu] nesse mesmo dia... Toda alma que fizer algum trabalho nesse dia, eu a destruirei...” (Levítico 23:28-30).
As outras Festas – Proibição de trabalho ocupacional/servil (melachet avodá), ou seja, às festas de Shavuot, Sucot, Rosh Hashaná e os dias sagrados de Pessach/Chag HaMatzot a restrição é de trabalho servil, vejamos o exemplo:
"E apregoareis naquele mesmo dia que tereis Santa Convocação; nenhum trabalho servil fareis [melachet avodá lo ta'assu]; estatuto perpétuo será em todas as vossas habitações, pelas vossas gerações." (Levítico 23:21).
O entendimento sobre o que é exatamente o "trabalho servil" (melachet avodá) é extraído originalmente de Êxodo 12:16 que trata de Pessach:
"Nenhum trabalho se fará neles, exceto o que cada um houver de comer; somente isso se poderá fazer por vós." (Êxodo 12:16).
Os sábios de Israel compreenderam que a Torah define “melachet avodá lo ta'assu” em Levítico a partir da concessão de Êxodo, portanto, a expressão “trabalho servil” exclui os atos necessários para a preparação de alimentos no próprio dia da festa — como cozinhar ou assar alimentos — desde que realizada a partir de uma fonte de fogo preexistente, e que seja para o seu próprio consumo e da sua família no mesmo dia.
O conjunto de leis judaicas composta pelos mandamentos da Torah escrita, pelos ensinos da Torah oral e pelas leis rabínicas chamamos Halachá.
Na Halachá o termo Yom Tov é o nome rabínico oficial utilizado para designar qualquer uma das festas bíblicas nas quais a Torah proibiu o trabalho produtivo, mas permitiu a preparação de alimentos.
Enquanto o Shabat e o Yom Kippur são chamados de dias de descanso absoluto (Shabaton), os dias sagrados das demais festas são classificados como Yom Tov.
O Talmud, no Tratado de Beitzá 12a, define que a única diferença prática na restrição de trabalhos entre o Shabaton e o Yom Tov é o conceito de Ochel Nefesh (alimento para o indivíduo/sustento do corpo), tudo o que for necessário para a alimentação direta do ser humano naquele dia torna-se permitido no Yom Tov.
Em resumo:
- Shabat e Yom Kippur – São Shabaton, proibição total de trabalhos e de acender fogo.
- Pessach, Shavuot, Rosh Hashaná e Sucot – São Yom Tov, é permitido cozinhar para consumo próprio no dia e transferir fogo a partir de uma chama acesa antes do início da festividade.
Origem das 39 melachot (as 39 proibições):
Ao estudar a Torah os sábios concluíram que as ações necessárias para construir o Tabernáculo (Mishkan) são exatamente aquelas proibidas no Shabat, aplicando-se também às demais festividades (com exceção das permissões de alimentação já descritas).
A conexão entre os trabalhos proibidos e o Tabernáculo é extraída diretamente da justaposição de textos na Torah em Êxodo 31 e 35, imediatamente após instruir detalhadamente sobre a construção do Mishkan, a Torah ordena a guarda e o repouso do Shabat.
As 39 Proibições (As 39 Melachot):
Nota importante: A lista abaixo detalha as ações proibidas de forma absoluta no Shabat. Como visto anteriormente, nos dias de Yom Tov (festividades), as ações diretamente ligadas à preparação de alimentos humanos — como cozinhar e transferir fogo — são permitidas devido ao princípio de Ochel Nefesh.
O Eruv e a alteração da 39ª Melachá (Hotzaá):
A 39º melachot proíbe carregar ou transferir objetos entre dois domínios: o privado (reshut hayachid) e o público (reshut harabim).
O Eruv é uma ferramenta jurídica e física que altera essa configuração geográfica.
O mecanismo físico: O Eruv consiste em cercas reais ou em um perímetro demarcado por fios conectados a postes (formando o desenho de batentes de portas chamados Tzurat HaPetach), essa estrutura unifica legalmente toda a área cercada.
O mecanismo jurídico (Eruv Chatzerot): Os moradores da área cercada fazem um condomínio simbólico, compartilhando a propriedade de um alimento (geralmente uma caixa de matzá) antes do Shabat, isso transforma legalmente o espaço público residencial em um único e imenso "domínio privado coletivo.”
O impacto na prática: dentro do perímetro do Eruv, a proibição rabínica de carregar é suspensa, torna-se permitido carregar chaves, empurrar carrinhos de bebê, portar livros de reza ou usar bengalas ao sair de casa para a sinagoga. (Fontes: Talmud Tratado de Eruvin 2a / Shulchan Aruch OC Siman 366).
Conclusão:
Como demonstrado ao longo deste artigo, o detalhamento minucioso das 39 ações proibidas provém de decretos rabínicos, não estando explícito na Torah escrita.
Outro detalhe importante é que devemos sempre ter a consciência (kavaná) de que a tradição oral é somente uma tradição interpretativa da Torah escrita e é cultural, e não uma ordem divina.
Diante de tudo que foi apresentado concluímos que a aplicação na prática divide-se em:
- Judeus de nascimento e convertidos que não creem em Yeshua - Por rejeitarem a Yeshua permanecem sob a autoridade rabínica e, portanto, consideram-se sob a obrigação estrita de seguir a Halachá em sua totalidade. No entanto, como mostrado logo acima, isso não uma obrigação pactual legítima diante de Deus, aos olhos do Criador com base em Jeremias, Isaías e na própria Torah, o judeu continua violando o princípio de Bal Tosif ao seguir a Halachá em detrimento da Torah pura.
- Judeus e gentios crentes em Yeshua - Podem seguir algumas tradições orais se não ferir a Torah e a Brit Chadashá, e sempre com a kavaná de que é cultural e não divina. Não possuem a obrigação legal de obedecer às leis orais ou decretos rabínicos, devem concentrar sua obediência à instrução moral e espiritual da Torah escrita e nos ensinos de Yeshua e dos seus apóstolos na Brit Chadashá.
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