05 maio 2026

Yeshua - Cumprimentos Proféticos de Pessach a Shavuot

Yeshua – Cumprimentos Proféticos de Pessach a Shavuot


Resumo:

Nesse artigo falaremos da relação de Yeshua com as festas de Pessach e Shavuot passando pela contagem do Ômer.


Pessach e Shavuot são duas das 3 festas mais importantes da Torah, festas de peregrinação.

No judaísmo tradicional e no messiânico/nazareno Pessach é associada a libertação do povo de Israel do Egito. A contagem do Ômer é relacionada a elevação espiritual. E Shavuot relacionada a entrega da Torah no Monte Sinai.

Esses eventos também estão relacionados a Yeshua, mas pouco se fala sobre isso devido a tradição judaica predominante hoje.

Por isso nosso objetivo é apresentar a relação desses eventos com Yeshua, com sua morte e ressureição.

É necessário lembrar que o entendimento que relaciona Shavuot a entrega da Torah aparece pela primeira vez no Livro de Jubileus capitulo 6 (ano 160aec), quase 400 anos depois da reconstrução do 2º Templo em 516aec, apontando que historicamente no período do 1º e 2º Templos a associação da festa era puramente agrícola e de cumprimento do mandamento.

Somente após a destruição do 2º Templo em 70ec, quando o caráter nacional e agrícola perdeu força prática, é que esse entendimento acabou se consolidando na tradição rabínica, e o foco na Torá se tornou central para a identidade judaica.

Notas:

Este estudo baseia-se na realidade geográfica e haláquica da Terra de Israel (Eretz Yisrael) onde Yeshua e os discípulos estavam, onde o dia 16 de Nisãn é o início do período comum (Chol HaMoed) e dia da oferta do Ômer.

Pelo calendário judaico, como na época de Yeshua, o dia começa e termina ao pôr do sol e não a meia noite como no nosso calendário, exemplo:
Pelo nosso calendário se hoje é dia 10  segunda-feira até a meia noite, para o judaico é só até o pôr do sol. Após o pôr do sol para nós ainda é dia 10 segunda-feira, mas para o judaico já é dia 11 terça-feira.


Resumindo alguns termos para melhor compreensão:

Mikra Kodesh – É o termo “Santa Convocação” nas escrituras, nenhum trabalho fareis, proibido criar fogo ou transferir de uma fonte já existente.

Yom Tov – São as Mikra Kodesh nas quais é permitido acender fogo por transferência e cozinhar para comer no mesmo dia.

Sábado festivo – É o Yom Tov.

Shabat – É o sábado semanal.

Erev Pessach – Véspera da Páscoa em 14 de nisã, não é Mikra Kodesh, dia que os cordeiros eram abatidos para a ceia.

Pessach – Páscoa como “conjunto” envolvendo o abate na tarde do dia 14 e a ceia na noite do dia 15 de nisã, é Yom Tov. Também é usado para se referir ao sacrifício do cordeiro.

Sêder de Pessach – Ceia de Páscoa na noite do dia 15 de nisã.

Chag HaMatzot – Festa dos Pães Ázimos, começa junto com a ceia de Pessach em 15 de nisã e dura 7 dias, só o primeiro e o último dia são Yom Tov.

Semana de Pessach – Semana de Chag HaMatzot.

Ômer – Oferta da primeira primícia, não é Mikra Kodesh.

Primícia – com P maiúsculo, usaremos para a oferta do Ômer.

Sefirat HaÔmer – contagem do Ômer de 49 dias, começa com a oferta do Ômer, são dias comuns.

Shavuot – Pentecostes, oferta da segunda primícia, é Yom Tov.

Para relacionar Yeshua a Pessach, Ômer e Shavuot precisamos antes abordar sobre o dia de sua morte, o contexto agrícola e os mandamentos desses eventos na Torah.


Sobre a morte e ressureição de Yeshua:

Antes de continuar precisamos esclarecer que existem duas versões sobre o dia da sua morte e ressureição:

  • A tradicional que existe desde o surgimento dos primeiros cristãos, na qual Yeshua morreu na sexta e ressuscitou no domingo.

  • E a mais recente, surgida por volta de 1927 com o “teólogo” americano Herbert W. Armstrong, na qual Yeshua morreu na quarta e ressuscitou no sábado (sobre ele clique aqui).

Abordamos esse debate em outro material para não sair do tema principal aqui.

Temos fortes motivos para nos basear na versão tradicional: morte na sexta e ressureição no domingo, e assim faremos.


Pessach e Chag HaMatzot em Êxodo 12:

³ Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês, cada um tomará para si um cordeiro, segundo a casa dos pais, um cordeiro para cada família.

No 10º dia do mês de nisã o cordeiro é separado e examinado por 4 dias.

⁶ e o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o imolará no crepúsculo da tarde.

Na tarde de 14 de nisã o cordeiro era abatido.

⁸ naquela noite, comerão a carne assada no fogo; com pães ázimos e ervas amargas a comerão.

Naquela noite” já é o dia 15 de nisã pois ao anoitecer acabou o dia 14 e iniciou o dia 15. O cordeiro é comido com pães ázimos, inicia Chag HaMatzot junto com a ceia de Pessach.

¹¹ Desta maneira o comereis: lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão; comê-lo-eis à pressa; é a Páscoa do Senhor.

Explica que o termo Pessach (Páscoa) se refere ao conjunto abate/ceia pois toda a ação vem desde o versículo 6.

¹⁵ Sete dias comereis pães ázimos. Logo ao primeiro dia, tirareis o fermento das vossas casas, pois qualquer que comer coisa levedada, desde o primeiro dia até ao sétimo dia, essa pessoa será eliminada de Israel.

Fala de Chag HaMatzot que inicia na ceia de Pessach e dura 7 dias e está atrelada ao versículo 8 da ceia.

¹⁶ Ao primeiro dia, haverá para vós outros santa convocação; também, ao sétimo dia, tereis santa convocação; nenhuma obra se fará nele, exceto o que diz respeito ao comer; somente isso podereis fazer.

Explica que o 1º e o 7º dia de Chag HaMatzot são Yom Tov. Portanto dia 15 Pessach é o primeiro Yom Tov da festa.


O contexto agrícola de Israel:

Em Israel o trigo era plantado no outono junto com a cevada, logo após as primeiras chuvas, e passava todo o inverno crescendo assim como a cevada.

No período de Pessach enquanto a cevada já estava dourada e pronta e era colhida, o trigo ainda estava verde e úmido.

A primeira oferta de primícias era na semana de Pessach e era de cevada, chamada oferta do Ômer.

O trigo só amadurece e seca ficando pronto para a colheita, uns 50 dias depois da colheita da cevada.

A segunda oferta de primícias era 50 dias depois da primeira e era de trigo, chamada Shavuot; o termo Pentecostes usado pelo cristianismo se refere a essa festa em Atos 2.

As 7 semanas ou 50 dias entre Ômer e Shavuot é o período em que o calor do sol de primavera aumenta drasticamente em Israel, e é esse calor que faz o trigo amadurecer e secar.

O período de contagem de 50 dias entre as duas ofertas é chamado Sefirat HaÔmer ou Contagem do Ômer.


Oferta do Ômer em Levítico 23:

“⁹ O Senhor disse a Moisés: ¹⁰ Fale aos filhos de Israel e diga-lhes: Quando entrarem na terra que eu lhes dou e fizerem a colheita, vocês trarão um feixe das primícias da colheita ao sacerdote; ¹¹ este moverá o feixe diante do Senhor, para que vocês sejam aceitos; ¹² o sacerdote moverá o feixe no dia imediatamente após o sábado...”

“¹⁴ Vocês não deverão comer pão, nem trigo torrado, nem espigas verdes, até o dia em que vocês trouxerem a oferta ao seu Deus, é estatuto perpétuo por vossas gerações, em todas as vossas moradas.”


Sefirat HaÔmer e Shavuot em Levítico 23:

“¹⁵ Contem sete semanas a partir do dia imediatamente após o sábado, a partir do dia em que trouxerem o feixe da oferta movida; deverão ser semanas inteiras. ¹⁶ Até o dia que vem depois do sétimo sábado, contem cinquenta dias; então apresentem nova oferta de cereais ao Senhor.

¹⁷ Das vossas habitações tragam dois pães para serem movidos. Os pães serão feitos com quatro litros da melhor farinha, assados com fermento; são primícias ao Senhor. ¹⁸ Também com o pão oferecereis sete cordeiros... ²⁰ O sacerdote os moverá, com o pão das primícias, por oferta movida diante do Senhor...

²¹ No mesmo dia, se proclamará que vocês terão santa convocação; não façam nenhum trabalho nesse dia; é estatuto perpétuo onde quer que vocês morarem, de geração em geração.

Resumindo temos:

·         Lv.23:10 – Quando entrassem na terra que o próprio Deus dava a eles, deveriam colher feixes de cereal e ofertar como primícia chamada Ômer.

·        Lv.23:11 – Ômer era uma oferta movida, e dependia que o apresentassem para serem aceitos por D’us.

·        Lv.23:12 – Ômer deveria ser apresentado após o sábado, isso pode indicar um sábado semanal ou um festivo.

·        Lv.23:14 – Proíbe consumir os frutos da colheita até apresentarem o Ômer.

·        Lv.23:15 – Sefirat HaÔmer que é contar sete semanas inteiras (49 dias) a partir da oferta do Ômer.

·        Lv.23:16 – No 50º dia depois do Ômer fariam nova oferta da nova colheita, chamada Shavuot.

·        Lv.23:17 – Oferta de Shavuot na forma de 2 pães da melhor farinha, com fermento e assados em suas casas, uma oferta movida e não queimada.

·        Lv.23:21 – Shavuot é santa convocação, mas Ômer não.


Qual é o sábado de Levítico 23:12?

No tempo de Yeshua existia um debate entre fariseus e saduceus em relação ao sábado para a oferta do Ômer.

Os saduceus diziam que o texto tem que ser entendido na literalidade, sábado semanal.

Já os fariseus baseados no livro de Josué capítulo 5 diziam que se tratava do Yom Tov de Pessach.

Abordamos esse debate em outro material para não sair do tema principal aqui.

Prevaleceu no judaísmo o entendimento farisaico e nos basearemos nesse entendimento.

O tratado Mishná Menachot 10:2-6 relata como era o procedimento para a oferta do Ômer, um resumo:

Ao término do Yom Tov de Pessach, à noite logo que iniciava o dia 16 de nisã, os sacerdotes iam a um campo próximo a Jerusalém com tochas e foices e colhiam a cevada que já estava selecionada, levavam para o Templo e passavam a noite e a madrugada preparando-a para a apresentarem como oferta do Ômer, bem cedo antes que abrisse o Templo ao público.

“...o décimo sexto dia de Nisan era o momento apropriado para a colheita do ômer... Após o sacrifício do ômer, as pessoas saíam e encontravam o mercado de Jerusalém repleto da farinha dos grãos torrados da nova colheita, permitida pela oferta do ômer... A partir do momento em que a oferta do ômer era sacrificada, o produto da nova colheita era imediatamente permitido” (Mishná Menachot 10:3,5).


Conexões com Yeshua:

Pessach:

Não foi por acaso que o Senhor ordenou a Josué que entrasse na terra prometida no dia 10 de nisã.
Em 10 de nisã Yeshua entrou em Jerusalém mostrando que Ele é a autoridade que leva para a melhor promessa, a de vida eterna (João 10:9).

Assim como o povo foi circuncidado por Josué após atravessar as águas do Jordão para fazer parte da aliança e tomar posse da promessa, por Yeshua atravessamos “as águas” do mundo e somos circuncidados no coração para fazer parte da aliança e tomar posse da sua promessa (Efésios 2:11-13).

A circuncisão em Gilgal removeu o "opróbrio do Egito", a vergonha da escravidão; a circuncisão do coração por Yeshua removeu o "opróbrio do pecado", nos habilitando a herdar a Terra Prometida, o Reino de Deus (Efésios 2:19).

Ao entrar em Jerusalém no dia 10 de nisã Yeshua também demonstrava que Ele seria o korban (cordeiro) de Pessach que era separado no 10º dia como ordenado em Êxodo 12:3.

Não há relatos de milagres de Yeshua em Jerusalém nos 4 dias desde sua entrada em Jerusalém até a sua prisão, lembrando o cordeiro era separado e ficava aguardando do dia 10 ao 14.

Yeshua passou esses quatro dias até sua prisão sendo testado, questionado e interrogado pelos fariseus, saduceus e escribas, enquanto os cordeiros de Pessach eram inspecionados.

No interrogatório Pilatos, a máxima autoridade humana sobre aqueles homens, emite o veredito final sobre Yeshua “Não acho nele crime algum" (João 18:38) e Yeshua vai dali como um cordeiro pascal que foi inspecionado e considerado "sem mácula" pronto para o Pessach (1Pedro 1:19).

Yeshua morreu no Erev Pessach dia 14 de nisã (João 19:14) no momento que os cordeiros eram sacrificados no Templo (Mateus 27:46), realizando o cumprimento profético de ser o Korban de Pessach (João 1:29 e 1 Coríntios 5:7).

Assim como o korban no Egito livrou os primogênitos de Israel da morte e os libertou da escravidão, Yeshua como Korban de Pessach livrou Israel, a nação primogênita de Deus (Jeremias 2:3) e todos os que exercerem fé Nele, da morte espiritual e da escravidão do pecado.

Por fim, após sua morte, ainda na cruz, um soldado romano o perfura e Dele sai sangue e água (João 19:34) remetendo ao profeta que disse em Zacarias 13:1 “Naquele dia, haverá uma fonte aberta para a casa de Davi e para os habitantes de Jerusalém, para remover o pecado e a impureza.”


Ômer:

Yeshua foi sepultado no mesmo dia da sua morte em 14 de nisã (João 19:14) uma sexta-feira, e todos os evangelhos são unânimes que Ele apareceu ressuscitado no domingo dia 16 de nisã.

O dia 16 de nisã caindo no domingo era o dia da oferta do Ômer tanto para os fariseus quanto para saduceus.

Como diz a Mishná Menachot 10:2-6 a oferta do Ômer era colhida a noite quando iniciava o dia 16, preparada durante a madrugada e ofertada pela manhã, ou seja, assim que o sol se pôs e iniciou o domingo dia 16 os sacerdotes foram ao campo colher a primícia para a oferta do Ômer.

Marcos 16:2 diz quando as mulheres foram ao túmulo de Yeshua: “E, muito cedo, no primeiro dia da semana, ao despontar do sol, foram ao túmulo”.

Os evangelhos não dão pistas sobre o horário da ressureição, portanto Yeshua pode ter ressuscitado em qualquer horário antes das mulheres chegarem ao túmulo, inclusive na noite logo após o fim do Shabat quando iniciou o domingo.

“¹ Mas, no primeiro dia da semana, alta madrugada, foram elas ao túmulo, levando os aromas que haviam preparado. ² E encontraram a pedra removida do sepulcro; ³ mas, ao entrarem, não acharam o corpo do Senhor Jesus.” (Lucas 24).

As mulheres chegaram ao túmulo de Yeshua horas depois dos sacerdotes terem colhido a primícia no campo próximo a Jerusalém, e Yeshua não estava mais lá, já tinha ressuscitado, e assim Ele realizou outro cumprimento profético, sendo a Primícia da colheita, ressuscitando ou “sendo colhido” quando a primícia era colhida pelos sacerdotes.

“² Então, correu e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhes: Tiraram do sepulcro o Senhor, e não sabemos onde o puseram. ³ Saiu, pois, Pedro e o outro discípulo e foram ao sepulcro. ⁴ Ambos corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro; ⁵ e, abaixando-se, viu os lençóis de linho; todavia, não entrou. ⁶ Então, Simão Pedro, seguindo-o, chegou e entrou no sepulcro. Ele também viu os lençóis, ⁷ e o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus, e que não estava com os lençóis, mas deixado num lugar à parte” (João 20).

Em Yom Kippur, o dia do perdão, o sumo sacerdote deixava suas vestes de linho branco ao sair do Santíssimo (Levítico 16:23), e da mesma forma Yeshua deixou as suas mostrando que Ele é também o nosso Sumo Sacerdote Celestial como está escrito em Zacarias 6, Salmos 100 e Hebreus 9.

“¹⁰ E voltaram os discípulos outra vez para casa. ¹¹ Maria, entretanto, permanecia junto à entrada do túmulo, chorando. Enquanto chorava, abaixou-se, e olhou para dentro do túmulo, ¹² e viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde o corpo de Jesus fora posto, um à cabeceira e outro aos pés (João 20).

A Arca da Aliança era coberta por uma tampa de ouro puro com dois querubins de ouro, um em cada extremidade, chamada propiciatório, a arca ficava no Santíssimo ou Santo dos Santos.

No dia da expiação (Yom Kippur), o Sumo Sacerdote entrava no recinto e aspergia o sangue dos sacrifícios sobre o propiciatório para a expiação dos pecados.

As tábuas da Lei com os Dez Mandamentos ficavam dentro da arca apontando as transgressões do povo, e o sangue sobre o propiciatório representava a misericórdia divina cobrindo e perdoando os pecados.

Aquela pedra onde o corpo de Yeshua esteve e que Maria vê com os dois anjos em suas extremidades, representa a arca da Nova Aliança e o propiciatório que recebeu o sangue de Yeshua para a remissão dos nossos pecados.

Ao ter estado sobre aquela pedra entre os dois anjos, Yeshua mostra que agora é o Sangue Dele sobre aquele propiciatório que expia os nossos pecados e nos livra da condenação da Lei.

Mostra também que Yeshua é a Palavra de Deus manifestada entre nós (João 14:10).

Em Êxodo 25:22 diz a respeito da Arca: “Ali, virei a ti e, de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca do Testemunho, falarei contigo acerca de tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel.”

“¹⁴ Tendo dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não reconheceu que era Jesus. ¹⁵ Perguntou-lhe Jesus: Mulher, por que choras? A quem procuras? Ela, supondo ser ele o jardineiro, respondeu: Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei. ¹⁶ Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, lhe disse, em hebraico: Raboni (Mestre)! ¹⁷ Recomendou-lhe Jesus: Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai” (João 20).

Por que Yeshua disse isso a ela se ainda passaria 40 dias com seus discípulos?

Quando Yeshua disse isso a Maria já amanhecia, e era o momento que os sacerdotes estavam com a primícia pronta para apresentar no Templo.

E Yeshua estava preparado, pronto para subir e se apresentar no Santuário Celestial como Primícia diante do Pai.

Continuando João 20, depois de falar com Maria, Yeshua some por algumas horas, nesse mesmo período a oferta do Ômer era apresentada e movida no Templo em Jerusalém, geralmente por volta das 9 da manhã.

Assim como Yeshua foi o Korban de Pessach quando os cordeiros eram imolados no Templo, e foi a Primícia Colhida, ressuscitando quando os sacerdotes colhiam a primícia.

No momento que a oferta do Ômer era apresentada e movida no Templo, Yeshua se apresentava como Primícia Movida diante do Pai no Santuário Celestial.

Por isso mais cedo Ele disse a Maria “não me detenhas, pois ainda não subi ao meu Pai.”

Yeshua só reaparece a tarde a dois discípulos no caminho para Emaús em Lucas 24:13-15,28,29 e ao anoitecer aos discípulos reunidos em Jerusalém.

A apresentação do Ômer como primícia da colheita, santificava e autorizava o restante da colheita e a próxima primícia que viria 50 dias depois na Festa de Shavuot (Levítico 23:14).

Yeshua se apresentando como Primícia, autorizou e garantiu a colheita e a primícia que seria apresentada em Atos 2 na Festa de Shavuot; assim como sendo Primícia dos que dormem autorizou e garantiu a ressureição do restante da humanidade.

Em 1 Coríntios 15 Paulo compara a colheita da Primícia/Ômer com Yeshua:

“²⁰ Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem...” demonstrando que eles já relacionavam Yeshua com as festas.

Para um judeu como Paulo, usar o termo "Primícias" (Bikurim/Reshit) não era uma metáfora poética, mas um termo jurídico da Torá.


Sefirat HaÔmer:

Em Israel quando a cevada já estava madura o trigo ainda estava verde e úmido, ainda precisava de uns 50 dias para o trigo amadurecer.

A primeira primícia ofertada era sempre de cevada, considerada um alimento mais “rude” e consumido até por animais.

A segunda primícia ofertada era sempre de trigo, considerado um alimento mais “nobre” e exclusivamente humano.

A partir da oferta do Ômer de cevada era contado 50 dias até a próxima oferta, que seria de trigo em Shavuot.

O período da contagem do Ômer até Shavuot representa nossa transição do estado “rude” para o estado “nobre”.

É o período em que devemos buscar o aperfeiçoamento de caráter e a elevação espiritual.

Nos 50 dias de Sefirat HaÔmer Yeshua passou 40 dias com seus discípulos, Ele foi o “calor da primavera” que amadureceu o “trigo verde”; os discípulos tinham dúvidas, medo e uma compreensão limitada como o próprio Yeshua disse em Lucas 24:25.

Yeshua utiliza esses 40 dias para secar as dúvidas deles, ensinando sobre o Reino e amadurecendo-os para o que viria.

Ele confronta as falhas de caráter deles, como a restauração de Pedro em João 21, e redireciona a visão messiânica deles de política para a espiritual.

Ele está desintegrando a individualidade egoísta deles, como quando eles perguntaram "quem será o maior?" para que eles possam ser refinados e misturados formando uma única massa.

Atos 1:3 diz que Yeshua se apresentou vivo com muitas provas infalíveis, essas provas são como os golpes do moinho que moem a incredulidade, restando apenas a substância da fé.

Na Torah, a farinha para as ofertas deve ser Solet (finíssima).

Moer o trigo para remover o farelo grosso e refinar a farinha é o que Yeshua fez com o orgulho, o ego, e as dúvidas dos discípulos durante esses 40 dias.

Nesses 40 dias Yeshua transformou seus discípulos de “trigo verde” em “trigo maduro” e depois na “melhor farinha”, prontos para formar a massa dos pães da oferta em Shavuot.

Os 50 dias de Sefirat HaÔmer é o período em que nós “o trigo verde” precisamos amadurecer pelo Poder de Yeshua para que estejamos prontos para ser colhidos; devemos nos tornar o “trigo maduro” para Shavuot, só assim poderemos ser a primícia.

E só é possível que sejamos colhidos porque Yeshua se apresentou como a Primícia das Primícias no Ômer, dando a autoridade legal para que fôssemos colhidos e apresentados como oferta em Shavuot (Levítico 23:11).

  

           Shavuot:

A primícia de Shavuot são dois pães com fermento, feitos da melhor farinha, e que deveriam ser assados e levados de cada moradia.

“¹⁷ Das vossas habitações tragam dois pães para serem movidos. Os pães serão feitos com quatro litros da melhor farinha, assados com fermento” (Levítico 23).

Das vossas habitações representando quem somos, a nossa origem, trazidos de onde vivemos; representa também a nossa vida comum e o fruto de nossas ações diárias.

Na Bíblia o termo "habitação" (Moshav) é frequentemente usado para o lugar onde um povo se estabelece e cria sua identidade, ao exigir que os pães venham das moradas, o texto está dizendo: "Traga quem você é para o altar."

Dois pães representando o fim da barreira, não é um pão único e uniforme do Templo, mas dois pães distintos e levedados com origens e histórias diferentes, dois contextos diferentes, Israel e as nações.

Sendo apresentados como primícias perante o Senhor como uma só congregação unidos em Yeshua, pelo mesmo Espírito e pela mesma Torah, tornando-se uma única oferta diante do Senhor.

Movidos em um único movimento representando a aceitação de Deus e a santificação para os quatro cantos da terra.

Em Shavuot (Pentecostes), pessoas de "todas as nações debaixo do céu" (Atos 2:5) estavam presentes, cada uma vindo de sua habitação geográfica e cultural para serem fundidas em um só corpo pelo Espírito.

Da melhor farinha representando o melhor de nós, o resultado do nosso processo de refinamento, as provações e o aprendizado da Palavra que nos torna um alimento nobre.

Com fermento representando a nossa natureza humana e nossas imperfeições que, embora presentes, não impedem que sejamos aceitos e "movidos" pelo Sumo Sacerdote Celestial Yeshua.

Em Pessach o fermento é proibido pois representa também o orgulho que “infla”, mas em Shavuot ele é aceito porque já passou pelo Fogo.

O Espírito Santo não anula nossa humanidade, mas a transforma através do Seu Poder.

Yeshua sobe aos céus no 40º dia, mas ainda restam 10 dias até Shavuot que será no 50º dia.

Nesses 10 dias para Shavuot após a “massa” de discípulos ter sido misturada e sovada nos 40 dias de ensino, ela precisa de um tempo de repouso para que o fermento comece a agir antes de virar pão.

Esses 10 dias de oração intensa são o período em que a "massa", formada pelos 120 discípulos está “descansando e fermentando”, crescendo em unidade e fé, esperando o processo final: o Fogo.

Sem esses 40 dias de provas e preparação a oferta em Atos 2 seria apenas uma massa solada que não formaria um bom pão para alimentar o mundo.


E sobre nós?

Quanto a nós, como os grãos de trigo para ser primícia, precisamos primeiro passar pelo “calor da Palavra” para secar as dúvidas e amadurecer, assim ficaremos firmes e prontos para sermos colhidos por Yeshua.

Depois de colhidos por Yeshua somos debulhados, libertos da “espiga” a qual estávamos presos, Ele nos separa das coisas e das características de personalidade que estamos apegados.

Como grãos individuais somos descascados para que o nosso interior seja revelado, Yeshua nos mostra o nosso “eu interior” com as nossas falhas e fraquezas, para que a gente sinta arrependimento e reconheça que precisamos de mudança.

Revelado quem somos, agora seremos separados das impurezas que representam nossa inclinação para o mal, nossos maus hábitos adquiridos com o tempo, pensamentos e impulsos que não estão de acordo com os preceitos de D’us.

Para isso somos passados em várias “peneiras e pelo vento” para nos separar da palha e das impurezas que nos acompanham.

Nesse processo, se não nos deixamos ser levados pelo vento junto com a palha, e se nos separamos das impurezas quando peneirados, estaremos limpos e prontos para sermos transformados.

Já limpos, somos “moídos e peneirados” várias vezes para nos tornar a farinha fina que vai compor a massa, até nos tornar a “melhor farinha” que podemos ser.

Toda oferta apresentada ao Senhor era da melhor qualidade.

Transformados na “farinha da melhor qualidade” somos misturados com os nossos irmãos e “sovados” para formar uma massa consistente e unida que formará o pão, a congregação.

Assim como a massa precisa descansar para o fermento agir e ela crescer, somos deixados para descansar um pouco como “massa unida” crescendo espiritualmente em unidade, assim como Yeshua fez com os discípulos durante os 10 dias entre sua ascensão e Shavuot.

Assados pelo poder de Yeshua estamos prontos para sermos apresentados como primícia, como pão da oferta em Shavuot.

Os 120 discípulos foram como a massa que fermentou e cresceu, alimentando com a Palavra a multidão de 3.000 pessoas em Atos 2, levando-as ao arrependimento.

No Templo, o sacrifício matinal e as ofertas de Shavuot começavam ao amanhecer.

Sendo judeus observantes é quase certo que os discípulos já tinham ido ao Templo nas primeiras horas da manhã e apresentado suas primícias, retornando depois para o local de reunião.

O Espírito Santo ao descer sobre eles às 9h da manhã (Atos 2:15), hora da oração e do sacrifício adicional de Shavuot, mostra a sincronia.

Enquanto o sacerdote movia as primícias de pães de trigo no Altar, Yeshua o Sumo Sacerdote Celestial movia suas Primícias, os "pães vivos" os discípulos, no Santuário Celestial (Tiago 1:18).

Assim como o fogo do altar consumia as gorduras do sacrifício em sinal de aceitação, as "línguas de fogo" em Atos 2 são o selo de que aquele "pão vivo" a congregação, foi aceito por D’us como Primícia.

O Espírito não é dado para nos tornar perfeitos como a Lei, mas como prova de que fomos aceitos através do nosso Mashiach Yeshua.

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